O SaaS vai morrer?
O que ninguém está falando sobre essa história da IA matar o mundo do software
👋🏼 Bem vindo a edição de número #135 da Newsletter do Moa.
O CEO da Nvidia disse que a IA vai devorar o software. O CEO da Anthropic prevê que em 12 meses ela escreverá “essencialmente todo o código”. Empresas já estão construindo sistemas internos com IA ao invés de contratar SaaS. Parece o fim de uma era. Será?
Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu faço uma reflexão para tentar descobrir se, de fato, o SaaS vai morrer.
O fim do SaaS?
Em 2017, Jensen Huang (CEO da Nvidia) afirmou que “o software está devorando o mundo, mas a IA vai devorar o software“, implicando que a IA substituirá métodos tradicionais de software. Em 2025, Dario Amodei (CEO da Anthropic) fez uma previsão: em alguns poucos meses, a IA estará escrevendo 90% do código, e em 12 meses ela estará escrevendo “essencialmente todo o código”. Já não é de hoje que players relevantes da indústria de tecnologia fazem declarações fortes como essas.
Por conta dessa facilidade, estão surgindo alguns movimentos de empresas escolhendo construir software dentro de casa, ao invés de contratar softwares de mercado. Exemplos como o Dener Lippert, CEO da V4, contando em seu canal no Youtube que decidiu construir o próprio CRM, ao invés de contratar a solução da Salesforce. Ou então, como o tweet abaixo:
Diante de declarações como essas, a gente tende a ficar apreensivo. Será que a profissão do programador vai acabar? Será que a categoria de software como serviço vai ser extinta? Finalmente a tecnologia ficou acessível a ponto de toda empresa poder vibecodar os sistemas necessários para rodar sua operação?
A culpa é de quem?
O meu primeiro emprego com tecnologia foi uma empresa que tinha uma cultura open source muito forte. Era um escritório de tecnologia associado à OMS, quase que um órgão público, só que mundial. Diante dessa característica de organização sem fins lucrativos, a empresa entendia que o movimento mais estratégico a ser feito era distribuir seus produtos via licenças de código aberto. Esse modelo permitia que pessoas do mundo todo colaborassem com o desenvolvimento dos projetos. Veja, estamos falando de 2010. Apesar de boa parte da internet já ser construída baseada na cultura open source, esse “modelo de negócio” era algo bem pouco difundido.
Foi nesse ambiente que fui apresentado ao Python e ao Linux. Até então, eu era um autodidata, e não tinha contato com mais ninguém que soubesse programar (ou tivesse qualquer intimidade com o computador além do pacote Office). Por esse motivo, não conhecia nada além de Windows e softwares proprietários (que eram pirateados, pois minha família não tinha um puto no bolso para gastar com essas “bobeiras”).
De repente, eu me vi diante de soluções de qualidade e que não custavam o olho da cara. Melhor ainda: eram de graça. Frente a esse novo mundo, eu não conseguia entender porque, ainda assim, as empresas pagavam caro para usar “aquela porcaria” de Windows.
Uma bela tarde, entre copos de cerveja e porções de batata frita, eu expus esse dilema a um amigo, que me trouxe a luz. Ele, um ferrenho defensor do ecossistema Microsoft, me explicou:
“Moacir, se eu instalar um Linux no servidor do meu cliente e acontecer algum problema, eu vou ligar pra quem?”.
Foi aí que minha ficha caiu. Enquanto o menino da TI está preocupado em instalar um software e o analista do financeiro está preocupado em operar o software, o diretor da empresa está preocupado em garantir que aquele software siga funcionando e que o trabalho seja entregue. O diretor não quer inovação, ele quer garantias.
Em muitos casos, o custo de uma operação parada é muito maior do que o custo do sistema responsável por fazer a operação rodar. Em casos mais sensíveis, um erro de sistema pode falir uma empresa. Portanto, quando alguém escolhe usar um Salesforce da vida, ao invés de uma solução de código aberto, o que ela está comprando é segurança. O que está sendo comprado é a garantia de saber que, se der algum problema, eles têm pra quem ligar pra pedir ajuda.
Uma pessoa mais cínica iria além: o que está sendo comprado é a garantia de poder culpar alguém por algum problema.
E não é só isso…
Além do pragmatismo da segurança, existe também a compra de know-how. No mundo das empresas de consultorias, por exemplo, existe uma dinâmica de valor muito clara, que também existe em empresas de software.
Quando você contrata uma consultoria, o que você está contratando é um conhecimento que pode ser aplicado ao seu negócio. Geralmente, esse conhecimento vem empacotado em uma metodologia, que visa facilitar a capacidade de um consultor aplicar esse conhecimento. Essa metodologia não nasce de um simples lampejo que acontece na cabeça de um gênio. Ela nasce de anos de trabalho com dezenas, centenas, talvez milhares de empresas diferentes. Isso é know-how.
Empresas prestadoras de serviço, no geral, necessitam desse know-how para conseguir gerar valor para seus clientes. Para empresas que vendem software como serviço, isso não é diferente.
Quando alguém decide instalar um software como Salesforce em sua operação, essa pessoa não compra simplesmente um sistema de arrastar Kanban que ajuda o vendedor a fazer follow-up. Essa pessoa está comprando o know-how de uma empresa que atende centenas de milhares de negócios, dos mais diferentes setores e tamanhos. Uma empresa que possui capacidade de fazer benchmark nessas centenas de milhares de referências, e, com isso, desenvolver um produto melhor. Quem compra um Salesforce da vida está comprando, no fim do dia, especialização em processos comerciais.
Conclusão
A IA revolucionou o mundo da programação. De fato, o custo por linha de código escrita ficou muito mais barato. Mas, será que o grande valor está aí?
Para responder essa pergunta, vamos imaginar um outro cenário. Eu imagino que você, ou algum conhecido seu, já tenha sofrido na mão de um pedreiro picareta na hora de fazer uma reforma. A história é sempre a mesma: o cara vai reformar sua cozinha por um precinho camarada, e em um mês o assunto está resolvido. Passados 3 meses, você se vê procurando outro pedreiro para resolver a bagunça que o primeiro fez, tendo que gastar o dobro do que tinha planejado.
Decidir construir seu próprio CRM pode ser parecido. Quem é a pessoa responsável pelas regras de negócio? Pelos casos de uso? O diretor comercial? Qual é a experiência dele? Ter liderado meia dúzia de empresas? E quando o software começar a ter problemas de escala, quem vai resolver o problema? O programador baratinho que você contratou para vibecodar o sistema?
O grande ganho da inteligência artificial é a velocidade de execução. Mas, isso não é novo. Linguagens, frameworks e até software que também geram código já tentam resolver esse problema há anos.
O desafio não está em executar, mas, sim, em saber o que executar. A inteligência artificial até ajuda nisso, mas, o fator principal continua sendo o ser humano.
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São pontos interessantes e tem que ser levados em consideração na hora do build our buy, mas na corrida da eficiência fazer o seu próprio software pode virar alavancagem. O caso da Sales Force me parece um problema de fato. No caso da V4 os caras gastam 6M de licença por ano x 1M para desenvolver. Ainda que ele tenha que manter e evoluir compensa. O risco do desenvolvimento pode ter um RÓI muito alto. Mesmo que esteja errado desenvolver é muito tentador. Quem constrói seu próprio software vai pensar na escala que tem, na alavancagem de só ele ter aquilo customizado para o seu negócio. Software é inteligência codificada uma vez que você faz dificilmente seu concorrente vai conseguir fazer um igual. Se vc tem um Sales force todo mundo em teoria pode ter, todo mundo parte do mesmo nível. CRM com automação e sabendo onde está a dor do cliente altamente customizado para atender melhor o cliente e com processos de automação orquestração entre áreas internas fazendo Sales ops e rev ops e totalmente factível. Não acho que isso se aplica para todas as categorias de SaaS e todos os tamanhos de empresas, mas que o mercado vai mudar o modelo e tem SaaS que vai morrer eu acho que vai. ERPs, sistemas contábeis eu acho que é uma categoria diferente e muito mais complexa de desenvolvimento e manutenção aqui eu acho que faz sentido realmente delegar a responsabilidade.
Ótima reflexão! Uma operação rodando com um erro no sistema vibecodado que demorou para ser identificado por de custar muito mas do que anos da assinatura do SaaS que a empresa quis economizar.